Tudo começou na sexta feira a noite. A caminho da Sinagoga para o Shabat e a despedida do rabino que iria assumir uma comunidade em Israel. Já no meio do caminho toca o telefone: era uma professora de uma faculdade particular daqui de Salvador perguntando se eu poderia acompanhar um casal - uma professora convidada pela faculdade e seu esposo. Ahn? Você não sabia? Além de Blogueiro, eu sou Guia de Turismo. Trabalho como freelancer para algumas agências e clientes particulares, claro!
Mas, voltando à história…
… como estava no carro e sem ter como anotar nada, pedi à senhora que me ligou para me passar todos os detalhes por e-mail.
Após a cerimônia religiosa, como de costume, ficamos para um minúsculo pequeno coquetel que temos logo depois. Como era a o último que nosso rabino teria aqui, se estendeu até um pouco mais tarde do que o habitual.
Eu havia planejado para o sábado, escrever um post com dicas de duas festas que ocorreram na cidade. Sabe como é? Dicas para curtir o sábado a noite. Acontece que o tal telefonema me obrigou a acordar muito cedo, e passar o sábado todo trabalhando… Quando finalmente cheguei em casa, além de estar hiper-cansado. Não deu outra, assim que coloquei os pés em casa, despenquei na cama. Quando acordei já era tarde e seria besteira postar dando dicas de festas para ir que começariam em poucos minutos. Improvisei um post meio na base do “embromation“, e pensei comigo mesmo: Já que não pude escrever sobre a festa antes dela acontecer, nada me impede de escrever sobre como foi. Afinal era a minha ex-banda, e eu sou o irresponsável pelo Blog da Banda que anda muito um tanto quanto abandonado…
Tudo ia bem, conforme o combinado. Fui encontrar com minha namorada em um barzinho perto de casa onde ela estava com alguns amigos e de lá iríamos para a apresentação d’Os Joaninhas onde seria também bebemorado comemorado o aniversário de Magno, o vocalista, e a notícia de que um dos meus melhores amigos estava grávido. Calma, calma.. não estou desafiando as leis da natureza aqui. Grávida está Carol, a noiva dele. o “Grávido” foi só um abuso da minha pseudo-liberdade poética…
Devaneios a parte, mal cheguei no bar para encontrar com a Dani, e já fui alardeando que a cerveja onde íamos era mais barata, que tinha som ao vivo bom e 0800… e que ….
Bem, nem precisei chegar ao terceiro motivo. A turma já havia pedido conta.
Estávamos em 2 carros: eu e Dani em um, ¹Cláudio, Lorena, a namorada, Maria e Naty no outro. Expliquei onde era o lugar, e fui na frente com Dani pois Cláudio precisou mijar se livrar do líquido retido. Dos 4, Naty era a única que já conhecia. Loira alta -põe alta nisso! - difícil de não notar..
Chegamos no Rock’n'Sandwich, estava eu começando a cumprimentar meus amigos, apresentar Dani à quem ainda não a conhecia quando começam a gritar: “É briga na rua!”
Corremos todos para a cerca do bar quando eu vejo um a multidão cercando um carro, gente gritando de todo lado, um monte de ameaças e um motoqueiro arrebentando o vidro e o capô do Pálio.
Ficamos com medo que os coitados de dentro do carro fossem linchados ali mesmo!
De repente, noto que alguém sai do carro. Uma mulher. Loira, alta, difícil de não notar. Olho procurando a Dani e vejo que ela está dentro da parte fechada do bar - eu estava na área aberta - e que não havia visto nada.
Olho em volta e digo para meus amigos que estão ao meu lado: “Cambada, eu conheço (ok, conheci há menos de uma hora atrás mas conheci, não é? Eram amigos de minha namorada. Mesmo tendo atropelado um motociclista - ali já havia notado a moto embaixo do carro, não mereciam ser linchados! - o pessoal do carro. Venham comigo, por favor.”
E lá fui eu para o meio da multidão. Puxei Naty para o meu lado, e olhei para ela e mandei ela entrar no Bar. Ao mesmo tempo os outros ocupantes do carro já estavam de pé do lado de fora e a discussão pegando fogo.
Enquanto os ânimos se exaltavam e se acalmavam em uma verdadeira motanha russa, alguém chamou a polícia que demorou a aparecer mas quando chegou já vieram com tudo. Armas em punho - incluo aí um fuzil - e querendo mostrar quem mandava do pedaço.
Com o tempo a coisa foi se organizando, Descobrimos exatamente o que ocorreu: Os motociclistas - isso mesmo, eram 2 motos com 2 pessoas em cada uma - estavam em alta velocidade e tentaram ultrapassar o carro pela direita justamente quando o mesmo fez uma curva nesta direção. O resultado, já sabemos.
Quando souberam que a polícia foi chamada, uma das motos tomou um chá-de-sumiço e se mandou, ao “se lembrar” que a moto era fria não possuíam nem habilitação nem os documentos da motocicleta.
Veio a SET, rebocou o carro para perícia, e este aqui que voz escreve, foi levar os amigos à delegacia prestar queixa.
Agora…
O mais importante disso tudo:
É que eu fui “obrigado’ a ficar sem beber minha cerveja!!!
Pô! Sacanagem!!!
Você sai a noite, certo de que tudo está de acordo com os conformes e CABUM!!! Vem um motociclista - ou 2!!! - e acabam com seus planos.
Mas sou mais forte que todos eles! E depois de toda a confusão resolvida. Isso lá para 1 da matina. Finalmente pude sentar e aproveitar 2 coisas que adoro:
Minha namorada e o mais belo, sensível e dourado produto da cevada…
Há coisas pela quais vale a pena esperar…
¹ Os nomes foram trocados.
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